domingo, 30 de agosto de 2015

A EDUCAÇÃO NO NÍVEL SUPERIOR


A DOCÊNCIA E A IDENTIDADE DO PROFESSOR NO CENÁRIO ATUAL DA DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR


Tiago Barros de Almeida
proftiagoalmeida@gmail.com


INTRODUÇÃO
O Sistema de Ensino Superior no Brasil vem sofrendo uma verdadeira revolução desde que se estabeleceu como política pública nos primórdios da Sociedade Brasileira.
A partir da década de 80, os professores por toda a América Latina encontravam-se abatidos com salários minguados, massacrados pela inflação galopante, foram praticamente despejados no universo do multiemprego como alternativa de sobrevivência no meio da docência.
No caso dos professores da educação de nível superior, as oportunidades de emprego assumiram um movimento crescente, tornando-se uma avalanche desenfreada a partir dos anos 2000, turbinadas por políticas públicas, as quais estabeleceram medidas compensatórias à pretexto de democratizar o sistema de ensino, injetaram capital subsidiando total e parcialmente os custos com mensalidades em Instituições de Ensino Superior –IES do segmento privado, para os alunos inscritos em programas específicos para esse fim – a exemplo citamos o PROUNI e o FIES.
Em meio à toda turbulência gerada pelas forças dominantes cuja interação delineia os rumos da educação no Brasil, trazemos à baila duas questões em especial:
- Como está configurada a Docência no Ensino Superior no cenário atual da educação no País?
- Qual a influência deste cenário da educação sobre a Identidade do Professor que atua no nível superior?

O desenrolar das influencias do capital na educação em nosso país apresenta sua força ainda nos dias de hoje, influenciando as movimentações mercadológicas que vem abocanhando este novo e gigantesco segmento de mercado – o Sistema Privado de Educação Superior.
Gigantes no mundo dos negócios, e preocupados exclusivamente com a saúde financeira de seus empreendimentos, os grandes conglomerados financeiros internacionais vêm se movimentando e ganhando território, adquirindo ou construindo Instituições de Ensino Superior – IES por todo o Brasil.
Inúmeras são as consequências, dentre as quais podemos observar um grave distanciamento entre os elementos da tríade - Ensino, Pesquisa e Extensão. O Ensino adquiriu seu destaque em consequência da desequilibrada oferta de novos cursos pelas IES que descobriram neste novo filão uma excelente fonte de recursos.
Outra consequência desta mercantilização da educação superior é a brusca queda de qualidade na oferta de tais novos cursos, levando à formação deficiente de toda uma gama de profissionais que vem desaguando no mercado de trabalho a cada ano, inflando cada vez mais diversos setores da sociedade.
Todo este cenário vem se desenvolvendo não por acaso. Personagens de nível transnacional do quilate do FMI e do Banco Mundial, que apesar de se acortinarem em plano de fundo, regendo tudo sob seu controle, sempre se manifestando discretamente, mas em última instância, lutam para mascarar suas reais intenções políticas e sociais de manutenção e perpetuação do modelo econômico neoliberal, congelando nações inteiras, a pretexto de um pseudo-desenvolvimento.
Neste contexto, conforme nos ensina Lima (2012) todo investimento realizado exige como contrapartida medidas que devem ser tomadas como condição de concessão dos investimentos. Algumas exigências postas pelo Banco Mundial posicionam-se no campo da educação básica, focando no objetivo específico de preparar mão de obra para atender setores industriais e tecnológicos da sociedade. No tocante ao ensino superior, ficam evidentes as políticas de alargamento dos investimentos no setor privado, em total detrimento de ofertas por parte dos serviços públicos que atendam às necessidades da sociedade.
Receber propostas de medidas para a educação brasileira por parte do Banco Mundial, para Haddad (2008) não significa que tais mudanças sejam de qualidade, e ocorram efetivamente para benefício e desenvolvimento da sociedade, posto que para os investidores, na realidade tal educação reformulada apenas configura um instrumento facilitador para gerar mão de obra capaz de gerar um mercado competitivo.
Através dos estudos de Soares (2003), investimentos na educação ocorrem dentro de um rigoroso limiar que possibilita a formação de mão de obra qualificada para o alcance de metas industriais em determinados postos de trabalho, sem que seja, entretanto, dispendioso para as organizações. Para a autora uma nova fase está se desenrolando – o “pós-Fordismo”. Confrontado com o movimento outrora desenvolvido por Henri Ford no princípio do século passado, verifica-se uma nova busca pela produção em larga escala, tendo trabalhadores em cargos e funções específicas para tão somente agigantar a produção e sua consequente lucratividade.
No que tange aos vários fatores que compõem e influenciam a Identidade do Professor verificamos com as autoras Pimenta e Anastasiou (2008) uma observação muito peculiar a respeito do tema: pesquisadores e profissionais de áreas diversas ingressam na docência tão somente em razão da bagagem que trazem consigo pelo desempenho profissional realizado até então, isto é, pelo domínio de um conteúdo específico. Contudo, apesar de toda a sua experiência esses profissionais nunca foram levados a refletir sobre o real significado de “ser professor”.
Em uma perspectiva oposta, observamos as instituições que os recebem já pelo que “são”, e se isentam da responsabilidade inerente de contribuir para o que eles se “tornarão”, tendo em vista que a formação de professor é um processo contínuo, onde suas experiências e vivências práticas nas escolas e universidades são determinantes e parte integrante deste processo.
A partir do confronto entre a Identidade do profissional e as experiências de sala de aula, fica evidente a percepção sobre a influência da formação do profissional no processo de construção de sua Identidade Profissional.
Os profissionais oriundos da área da educação ou da licenciatura, de uma forma ou de outra tiveram oportunidade de transitar pelos elementos teóricos e práticos relativos à questão dicotômica associada ao processo de ensino e da aprendizagem, que por si só já movimenta o pêndulo da Identidade em direção à atividade docente, enquanto que para os outros profissionais oriundos das demais áreas do conhecimento, a construção da Identidade já fora iniciada desde as bases da sua formação profissional, fortalecendo-se ao longo de toda a sua trajetória acadêmica, a exemplo de médicos, advogados, juízes, sendo estes impelidos por motivos diversos a ingressar no mundo da docência como atividade secundária, identificando-se como um profissional que ministra aulas.
Um outro viés determinante no desenvolvimento e essencial na formação do professor é a pesquisa. Quando relacionada à Identidade, a vemos como fator direcionador no processo de reconhecimento do indivíduo na ilustre figura do professor.
Segundo André (2001), o movimento que valoriza o pesquisar na formação do docente é bastante recente, além de se encontrar muito limitado, pois as reais condições de atuação constante e diuturna do professor não contempla em carga horária nem em remuneração destinadas à pesquisa.
Encontramos farta manifestação no sentido de valorizar a articulação constante entre teoria e prática na formação docente, tanto na literatura Nacional quanto na literatura Internacional, reconhecendo a importância dos saberes da experiência e da reflexão crítica na melhoria da prática, o que acaba por atribuir ao professor as responsabilidades sobre o processo de desenvolvimento profissional.
Para a Autora, esperar que os professores se tornem pesquisadores, sem oferecer as necessárias condições ambientais, materiais e institucionais implica subestimar, tanto o peso das demandas do trabalho docente cotidiano, quanto os requisitos para um trabalho científico de qualidade, o que refletirá diretamente na afirmação de sua identidade.
Ressaltamos, por fim, que, segundo André (2001) a Proposta de Diretrizes para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica em Curso de Nível Superior (2001), elaborada pelo Conselho Nacional de Educação, inclui a pesquisa como elemento essencial na formação profissional do professor, fator este determinante no processo de construção de sua identidade como docente, quando este passa a assumir para si as responsabilidades de transmissão dos diversos saberes relacionados às vivências no mundo da Educação.


CONCLUSÃO
            Diante de um cenário completamente influenciado pelos ditames de elites dominantes, até mesmo em contexto transnacional, fica evidente o ciclo de consequências no qual o Sistema Educacional como um todo se encontra inserido.
            Em especial a Docência no Ensino Superior sofre influências diretas por meio de setores diversos, tanto da esfera privada com interesse em lucrar com a crescente demanda por profissionalização, quanto da esfera pública, que se esquiva covardemente de suas responsabilidades diretas e constitucionais de prover a sociedade em seus direitos básicos de receber a oferta de serviços públicos essenciais de qualidade, e tenta em vão tapar o sol com a peneira dos programas sociais populistas.
            No quesito Identidade, percebemos que a histórica desvalorização da classe docente, aliada às influências das forças financeiras que passaram a reger o sistema educacional, resultaram em uma diluição da essência da figura do Professor, enquadrando a classe dentre os seres em extinção.
             


REFERÊNCIAS

- ANDRÉ, Marli. PESQUISA, FORMAÇÃO E PRÁTICA DOCENTE. In: ANDRÉ, Marli (Org.), O PAPEL DA PESQUISA NA FORMAÇÃO E NA PRÁTICA DOS PROFESSORES, Campinas: Papirus, 2001

- LIMA, Marcelo Augusto Vilaça De. SOCIEDADE PÓS MODERNA E EDUCAÇÃO: As influencias do Banco Mundial no processo de reordenamento do ensino superior brasileiro. In: LIMA, Marcelo Augusto Vilaça De (Org.), EDUCAÇÃO SUPERIOR: Olhares contemporâneos, Belém: Cromos, 2012

- PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Léa Das Graças Camargos. DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR, São Paulo: Cortez, 2008


O ENSINO SUPERIOR PÚBLICO E PRIVADO: ALGUMAS DICOTOMIAS.

Elda Carla Barata Natividade 
eldanatividad@hotmail.com 
Jeane Patrícia Lima Melo 
j-patricia-lima@hotmail.com 

INTRODUÇÃO

     Refletir a respeito o Sistema de Educação Superior do Brasil é no mínimo, uma tarefa desafiadora e árdua, tendo em vista a diversidade patente em sua estrutura e organização. Para que esta reflexão seja contundente é imprescindível uma análise sobre os fatores que concorrem acerca das desigualdades sócias, econômicas, políticas e históricas que envolvem esse sistema. Como bem afirmou Stallivieri (2015 p. 01)

A educação superior no Brasil não pode ser discutida sem que se tenha presente o cenário e o contexto em que ela surge, ou seja, deve-se ter presente o tempo e o espaço em que ela está inserida, analisando desde o momento de seu surgimento até a realidade atual da educação, tanto no panorama local, regional como mundial. 

Para falarmos sobre o cenário atual do Ensino Superior no Brasil, é necessário fazermos um resgate histórico das condições em que este surgiu. As instituições de Ensino Superior surgiram no início do século XIX, como resultado da necessidade de formação da elite que buscava educação fora do país, afim de atender esta demanda. Com o decorrer do tempo houve uma considerável expansão no aumento de número das universidades, a partir dos anos 90 com o objetivo de atender ao mercado que solicitava profissionais qualificados e ao mesmo tempo que desenvolvia sua própria identidade enquanto sistema de educação este processo acelerou ainda mais.

Nossa proposta é refletir sobre os aspectos atuais de desigualdades sociais e econômicas nas esferas do Ensino Superior público e privado bem como os reflexos vivenciados na atual sociedade tendo como base as mudanças que o Ensino Superior vive ao longo dos anos.

CONHECENDO AS INSTITUIÇÕES

É importante salientar a diferenciação que ocorre quanto à nomenclatura das instituições do Ensino Superior pois, existe uma distorção quanto ao verdadeiro sentido da palavra uma vez que, nem todas as instituições são universidades devido caráter que possuem bem como a sua missão. As instituições públicas estão sob a base do tripé ensino, pesquisa e extensão, enquanto que as instituições privadas, na sua quase totalidade, detém-se apenas no ensino.

O Ministério da Educação (MEC) apresenta algumas definições a respeito das instituições de Ensino Superior para efeito de registros estatísticos classificadas da seguinte forma: Públicas (federais, estaduais e municipais) e Privadas (comunitárias, confessionais, filantrópicas e particulares) relacionadas nos formatos de financiamento bem como, sua sobrevivência no atual cenário da Educação Superior.

Diante de tal panorama é relevante entender que o significado, a missão e o caráter de cada uma das categorias apresentadas são diferentes em decorrência de algumas lacunas que envolvem as instituições e suas transformações no mercado, assim como os recursos e investimentos necessários para o desenvolvimento e melhor rendimento educacional. O surgimento dos diferentes tipos de instituições acontece em virtude das demandas sociais, e por vezes econômicas, buscando um ajuste a necessidade educacional porque passa a sociedade atual. Segundo Stallivieri (2015 p. 12)

Dada da inviabilidade, especialmente em questões financeiras e de recursos humanos, natural é que surjam diferentes tipos de instituições. Ou seja, mesmo diante da demanda de possibilidades de absorção por parte do mercado e do espaço para o crescimento do setor educacional, nem todas as instituições conseguem manter o seu status universitário.

ENSINO SUPERIOR: PÚBLICO E PRIVADO

Em pouco tempo as mudanças no Ensino Superior brasileiro foram muitas, rápidas e visíveis a partir da implementação de políticas públicas para atender as necessidades de um novo cenário emergente do Estado neoliberal em que os organismos internacionais exigem em troca de investimentos no país políticas voltadas para a melhoria na educação como condição básica para a continuidade desses investimentos. A criação do Plano Nacional de Educação (PNE), o FIES, o PROUNI e o Ciência sem Fronteiras são algumas das políticas compensatórias que “cumprem” com estas exigências.

Há pontos importantes que devem ser citados a respeito das instituições de ensino superior no Brasil. A princípio as instituições públicas brasileiras detém maior qualidade de ensino ofertada se comparada as privadas bem como maior número de alunos matriculados, incentivo à pesquisas, corpo docente com considerável número de titularidade, maior possibilidade de expansão, favorecendo um ensino de qualidade e de atendimento ao mercado de trabalho apontando que a melhor qualidade encontra-se no sistema público.

O sistema privado, por sua vez, merece destaque pelo crescente aumento do número de vagas ofertadas, custo acessível à classe mais pobre, maior número de faculdades, ensino à distância (EaD), oportunizando um ensino mais abrangente e acessível. No entanto, no sistema privado este crescimento é proporcional aos investimentos destinados a eles assim como a capacidade de pagamento do alunado, e os incentivos recebidos como redução de impostos, bolsas de estudo, cursos variados, fomentado seu crescimento a ritmo acelerado.

Estas mudanças são válidas, mas não conseguem abranger todas as necessidades vivenciadas pela sociedade contemporânea, pois nos centros universitários públicos é notório o sucateamento pelo corte de verbas, falta de concursos públicos, greves, número de vagas ofertadas ainda limitadas, expansão do ensino superior privado, dentre outros. Em relação ao ensino particular temos outros problemas sérios e visíveis, pois muitas em entidades os fins lucrativos falam mais alto, deixando de lado o caráter sentido do ensino, recebem incentivos públicos consideráveis, possuem redução financeira relacionada à pesquisa e a extensão, além de que as universidades virtuais, emergentes, e que atuam a longa distância fomentam, por vezes, as dificuldades educacionais.

O GRANDE DESAFIO

Não é nossa intenção, neste estudo, fazer uma análise aprofundada da problemática que envolve o ensino superior, e sim a partir das reflexões de alguns teóricos identificar possíveis relações com a crise do sistema de ensino, buscando explicações assim como, se possível, perspectiva de mudanças. Apontar qual direcionamento para se ter êxito no ensino superior seria muito pretensioso, mas podemos avaliar melhor a partir dos dados expostos anteriormente a dimensão atual deste ensino para então refletirmos sobre seus positivos e negativos.

A educação superior sofre desde sua criação e não é possível colocar, (ensino público e privado) no mesmo nível de igualdade, tendo em vista, a missão, a natureza e o caráter de cada instituição. Isto porque possuem diferenciações peculiares voltadas para sua realidade. Então, falar a respeito desses centros universitários necessita ter em mente a dicotomia que os envolve e ao mesmo tempo seus pontos positivos e negativos para a sociedade.

CONCLUSÃO

Concluímos assim que para a construção de um cenário educacional a busca deve ser constante em recursos destinados para a expansão e manutenção das instituições públicas de ensino superior. A estrutura privada teve uma expansão descontrolada favorecendo a mercantilização da produção do conhecimento, enquanto que as instituições públicas permanecem estagnadas contemplando a falência do estado quanto aos investimentos neste segmento isto é, a precarização nas condições e nas relações de trabalho , no panorama atual que se descortina é possível que se amplie ainda mais os investimentos públicos a fim de atenderem melhor as necessidade imediatas.

REFERÊNCIAS

PAGOTTI, Antonio Wilson e ASSIS, Sueli / O ensino superior no brasil entre o público e o privado. Disponivel em http://www.cefetes.br/gwadocpub/Pos-Graduacao/Especializa%C3%A7%C3%A3o%20em%20educa%C3%A7%C3%A3o%20EJA/Publica%C3%A7%C3%B5es/anped2001/textos/t1121929591501.PDF (capitulado em 28/08/2015).


STALLIVIERE, L. / O Sistema de Ensino Superior do Brasil Características, Tendências e Perspectivas. Disponível em http://www.researchgate.net/publication/228390340_O_SISTEMA_DE_ENSINO_SUPERIOR_DO_BRASIL_CARACTERSTICAS_TENDNCIAS_E_PERSPECTIVAS (capitulado em 29/082015)

ADOECIMENTO DO PROFESSOR DOCENTE NO CENÁRIO ATUAL DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
Francisca Nayza Souza Oliveira
nayzass@yahoo.com.br

















 Fonte: www.andes.org.com

 1 - INTRODUÇÃO

        A atual situação da educação brasileira, apresenta uma mudança no cenário da profissão docente, e com isso ocasiona também alguns problemas em decorrência do trabalho. Por este motivo, percebo por meio de pesquisa bibliográfica realizada, a real situação deste cenário na atual da educação superior, professores doentes, professores desvalorizados profissionalmente e economicamente. 

 Segundo Bizarro e Braga e (2005, p. 19),
            Exige-se lhes que ofereçam qualidade de ensino, dentro de um sistema                               massificado, baseado na competitividade, muitas vezes com recursos                                 materiais e humanos precários, com baixos salários e um aumento                                     exacerbado de funções, o que contribui para um crescente mal-estar entre os                     professores.
        Diante da agravante na educação (professores doentes), é possível identificar um forte apelo para a melhoria das condições de trabalho dos profissionais docentes, que sofre grandes críticas a respeito de seu papel na sociedade atual, tendo em vista, uma constante desvalorização destes profissionais, com baixos salários, condições inadequadas de trabalho, falta de respeito dentro e fora de sala de aula, violência nas instituições, o esgotamento do professor diante das exigências, etc.                 Desta forma, meu objetivo é mostrar aos leitores a atual realidade de alguns professores neste cenário da educação e seus agravantes que prejudicam sua saúde, qualidade da educação e suas relações pessoais.

 O PROFESSOR NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO E SUA CONDIÇÃO DE TRABALHO NO ATUAL CENÁRIO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR. 

       A inclusão do professor no contexto da globalização e da política neoliberal na esfera da educação não é recente. Atualmente o Brasil e no mundo é marcado pela abertura política e principalmente econômica. Essas transformações incidem tanto sobre a cultura como sobre a educação. Diante deste quadro não há como pensar a educação isolada do próprio contexto sócio-político e econômico, em outras palavras, Identificar os desafios que esta realidade coloca para o trabalho educativo é uma tarefa que continua em aberto. Na medida em que o mundo torna-se um grande mercado, as relações pautam-se pelos critérios do lucro e do consumo individualista. Como educar, se de acordo com essa lógica, a própria educação passa a ser uma mera mercadoria oferecida de modo semelhante a qualquer objeto de consumo, no mercado global? Libâneo e Oliveira (1998, p. 606) afirmam que: As transformações gerais da sociedade atual apontam a inevitabilidade de compreender o país no contexto da globalização, da revolução tecnológica e da ideologia do livre mercado (neoliberalismo).     
       A globalização é uma tendência internacional do capitalismo que, juntamente com o projeto neoliberal, impõe aos países periféricos a economia de mercado global sem restrições, a competição ilimitada e a minimização do Estado na área econômica e social. Desta forma a educação, em sua relação com o trabalho, é entendida sob a visão do Capital Humano, destinando-se em sua prática a formar profissionais em sua imensa maioria para o trabalho simples (Gentili, 2002). Atualmente os docentes estão passando por momento bastante delicado, em decorrência de várias críticas, em relação a situação da educação, a uma desvalorização absurda em suas condições de trabalho, e na sociedade em geral. 

A SAÚDE DO PROFESSOR


        A busca para identificar as condições de trabalho e as relações com o sofrimento/adoecimento dos docentes, tendo em vista a perda de sua autonomia dentro e fora de sala de aula. A intenção do trabalho é verificar as possíveis causas e consequências do adoecimento dos docentes, como parte de uma complexidade de fatores intrínsecos a vida profissional escolar, muitas vezes ocasionando o mal-estar profissional evidenciado por sinais de sofrimento, de estresse no dia a dia, esgotamentos físicos e mental, depressão e fadiga no trabalho, causado pelos diversos fatores que potencializa o sofrimento as longas e exaustivas jornadas de trabalho, a dificuldade de operar o controle de turma, o crescente rebaixamento salarial, a desqualificação e desvalorização social do seu trabalho.
        O adoecimento é um dos traços característicos da profissão docente na contemporaneidade. Ele é produto das dificuldades ou impossibilidades do professor em lidar com as problemáticas que estão presentes no cotidiano de seu trabalho. O que chamamos de mal-estar docente reflete, então, os sentimentos de angústia, desconforto e impotência do professor, resultantes da tensão gerada pela necessidade de ele intervir em situações que se colocam no cotidiano de sua prática, e as reais possibilidades dessa intervenção. 
      No setor da educação as particularizações impostas ao trabalho docente têm um caráter frágil. Decorrente do fato que os professores têm uma jornada de trabalho que não começa nem termina na escola. Ocorre na escola, mais se inicia e tem continuidade fora dela. O rebaixamento salarial sofrido pela categoria faz com que, em sua grande maioria, trabalhem em mais de uma escola, potencializando o esforço e o desgaste inerente à profissão. Esse desgaste não é só físico, mais também afeta o psicológico do docente e esse processo, quase sempre, é desgastante. Pois muitas vezes há a ausência de material e recursos didáticos prejudicando as condições de trabalho .

CONCLUSÃO
      
       O desenvolvimento do trabalho, ora apresentado, pude observar que as mudanças sofridas no processo de trabalho, ao longo do tempo, produziram mudanças no trabalho do docente, e que estas mudanças, estão afetando diretamente, e indiretamente, a vida do trabalhador causando males a sua saúde. Mesmo sendo uma pesquisa parcial, pois o tempo não me permitiu maior aprofundamento, observei que a profissão docente não tem a possibilidade de desfrutar de prestígios sociais e econômicos, podendo-se até dizer que é uma profissão que está em crise, pois a imagem social e a condição econômica do professor vêm sofrendo crescente desvalorização profissional e social, prejudicando o seu cotidiano e as condições de trabalho a eles fornecidos ,tendo estes motivos sido citados como grandes causadores do adoecimento, por pesquisadores do mundo trabalho e da questão educacional. Este trabalho pretendeu abrir espaço para uma análise mais aprofundada, a partir de uma pesquisa bibliográfica em relação entre a atividade de docência e o adoecimento do professor no atual cenário da educação superior. 
        De uma forma geral, percebo que a docência sofre com situações estressantes em seu ambiente de trabalho, com altas exigências do mercado de trabalho educacional, com o cumprimento de regras e normas, muitas vezes ocasionando situações de sofrimentos, com alguns distúrbios psíquicos e físicos que se acumulam ao longo do tempo escolar, provocando afastamento do profissional do ambiente escolar, por motivo de doença.
       Mesmo havendo uma legislação(LDB), que normatiza o trabalho do profissional docente, muito ainda precisa ser feito, para que possamos alterar a realidade, que hoje encontra-se entre os membros desta categoria profissional, tão importante para a construção e manutenção da sociedade e da vida social.

 REFERÊNCIAS

 BIZARRO, R.; BRAGA, F. Ser professor em época de mal-estar docente: que papel para a universidade? Revista da Faculdade de Letras, Línguas e Literaturas, Porto Alegre, v.22, p. 17-27, 2005.

 FRIGOTTO, Gaudêncio. Fundamentos científicos e técnicos da relação trabalho e educação no Brasil de hoje. In: LIMA, Júlio C.; NEVES, Lúcia M. W. Fundamentos da educação escolar no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV, 2006. p. 241-260.

 Fonte: www.andes.org.com

 GENTILI, Pablo. Três teses sobre a relação trabalho e educação em tempos neoliberais In: LOMBARDI, J. C.; SAVIANI, D.; SANFELICE, J. L. (Org.). Capitalismo, trabalho e educação. Campinas: Autores Associados/HISTEDBR, 2002. p. 45-59.

 OLIVEIRA, J.F., LIBÂNEO, J.C. A Educação Escolar: sociedade contemporânea. In: Revista Fragmentos de Cultura, v. 8, n.3, p.597-612, Goiânia: IFITEG, 1998.
A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO ENSINO SUPERIOR EM TEMPOS DE CRISE: UMA PROPOSTA DE REFLEXÃO PARA O DESENVOLVIMENTO.

Áurea Dennyse Oliveira Cavalcante de Souza
aureafcat@gmail.com
                                                                              Cristóvão Andrade Filho
cristovaopeter@gmail.com

INTRODUÇÃO

É indiscutível, a prática pedagógica do ensino superior em tempos crise no Brasil já é uma realidade. A partir da concepção da educação como um direito humano fundamental, tem-se um acelerado crescimento, porém desordenado, que culmina num desenvolvimento quantitativo e pouco significativo em termos qualitativo.
Nesse sentido, torna-se indispensável tracejar sob que perspectiva, argumentar a prática pedagógica no Estado Democrático de Direito consagrado com a Constituição Federal de 1988. Desde os anos 80, há uma mudança de paradigma, o qual ocasiona visíveis transformações e, também considerando o cenário em que se estabeleceu o modelo vigente, é inegável a desfragmentação na ruptura conhecida do ensino, gerando mudanças organizacionais e sistemáticas na educação pátria.
Com base nos diversos segmentos encontrados relacionados à prática pedagógica com vistas à universalização da educação, optou-se pela reflexão para o desenvolvimento como viés para ser debatido, permitindo-se vislumbrar quais os desafios e soluções a serem enfrentados pelos sujeitos, para elaborar uma alternativa na proposta de uma prática pedagógica do ensino superior que seja capaz de suplantar tempos de crise e possibilitar uma universalização da educação no Brasil.

A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E A EDUCAÇÃO COM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL

A Constituição de 1988 inaugurou indiscutivelmente o Estado Democrático de Direito, em que sua maior característica reside em praticar a democracia, ou seja, vigora o princípio da soberania popular que impõe a participação do povo nos assuntos de interesse público, resguardando os direitos humanos em perfeita harmonia com o sentimento de cidadania, preservando a representação da coletividade, na qual a educação é não só concebida como um direito social, mas também um direito humano fundamental, a ser implementado pela atividade docente instrumentalizado pela prática pedagógica com vistas à formação com autonomia.
A Democracia é compreendida em dois sentidos: o estrito e o amplo. O sentido estrito, formal, significa governo do povo, diz respeito à representatividade. No sentido amplo, substancial, acautela valores humanos. Nesse olhar, repousa a educação como direito humano fundamental.
Para se vivenciar a Democracia de forma plena, há a necessidade de viabilização através da cidadania como atributo que confere legitimidade à representação. A cidadania é entendida, em linhas gerais, como o conjunto de direitos e deveres a que estão sujeitos os que no território nacional se encontram em situação regular, pautando suas vidas e escolhas baseadas no que versa a lei, podendo atuar de forma política e jurídica no território nacional, no qual a educação é parte desse cenário, devendo ser proporcionada pela prática pedagógica através de ações capazes de viabilizar sua efetiva concretização.   Não há como dissociar democracia e cidadania, pois o respeito às liberdades públicas e aos direitos individuais é condição indispensável à realização da democracia através dos cidadãos, cujos valores essenciais como liberdade, justiça e solidariedade, conforme dispõe o Art. 3º, I; são indubitavelmente, um objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, logo, propiciando o  desenvolvimento e promovendo o bem de todos,  sendo portanto incompatíveis com submissões ou privilégios, em que o princípio da dignidade é considerado o mais elevado princípio da democracia, pois é através da dignidade que se expressa da melhor forma a democracia, comportando liberdade e igualdade em igual medida, ainda havendo outros direitos individuais e coletivos que perfazem o cerne dos direitos fundamentais, mas que sem dúvida se traduzem de forma invariável no princípio da dignidade humana.
Aliado a essa nova (r)estruturação, o (neo)liberalismo se apresenta como suporte suficiente à Teoria dos Direitos Individuais, pois ao mesmo tempo que sustenta a não intervenção do Estado no campo particular do cidadão: direito à vida, à locomoção, à expressão e à propriedade; também preserva a esfera pública do indivíduo, em que estão repousando os direitos políticos, econômicos, sociais, culturais, em que pese a educação tem espaço garantido na parcela pública do qual cabe ao Estado ser garantidor.
Com essa visão, é que a Constituição de 1988 consagra princípios fundamentais, oriundos de decisões estruturais e políticas de Estado resultantes do poder constituinte, que baseado na supremacia da Constituição, na representatividade, na soberania popular, reflete democraticamente os valores a serem materializados nessa nova Constituição dirigente, em que direitos públicos e privados são previstos, garantias individuais e coletivas são sistematizadas, baseadas no núcleo rígido do ordenamento jurídico pátrio, a dignidade, mas que ladeada pela igualdade, liberdade, justiça social, acabam por traduzir e sintetizar o verdadeiro sentido da lei, ou seja, promover o reconhecimento de direitos inalienáveis ao indivíduo, dentre eles, a educação, que em busca da realização do seu plano de vida (felicidade), inexoravelmente pela autonomia, produz o próprio desenvolvimento, na forma individual, mas sem deixar de contribuir para o desenvolvimento geral, expresso de forma coletiva.


A PRÁTICA PEDAGÓGICA: EXTINÇÃO DA SELETIVIDADE E A UNIVERSALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO.

O docente enquanto profissional habilitado pela tecnicidade e, também ser humano constituído por percepções, sensações, conhecimentos, saberes e competências, traduz-se num indivíduo capaz de vivenciar a relação do ensino-aprendizagem, elaborando as práticas pedagógicas de acordo com a posição que ocupa, porém respeitando o contexto permitido que a educação superior impõe.
Conforme Vasconcelos (2000, p. 31), há o entendimento:

É da competência pedagógica que surge, naturalmente, o comprometimento com as questões do ensino e da Educação.
É quando se trabalha a formação pedagógica do professor que se dá a ele o tempo, absolutamente indispensável, para “pensar” a Educação; seus objetivos, seus meios, seus fins, seu raio de influência, seu envolvimento com a sociedade, seu compromisso com todos os alunos que pela escola passam.

Depreende-se da afirmação, em não ser possível negar a formação técnica – ensino, mas moldando o docente no processo reflexivo, ambos da ação (durante) e, sob a ação (posterior) – educação; proporcionando conferir ao professor a autonomia pautada na competência para desenvolver a prática pedagógica necessária, de forma sistematizada, orientada ao aprendizado no exercício constante que repousa além da intelectualidade, respeitando os limites estabelecidos na lei, provendo o desenvolvimento e o livre  movimento  do pensamento.
Há diretrizes que regem a atividade, a própria Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em atendimento ao que dispõe a Lei 10.172/05 – Plano Nacional de Educação (PNE), busca de forma prática e, não somente retórica, alcançar metas de inclusão, através de uma gestão participativa entre Estado e instituições sejam elas, público e/ou privadas, assim como cooperativa, que integrem os sujeitos envolvidos – docentes, discentes, entidades, governos, financiadores, com um objetivo único, atingir o proposto pela lei de forma lenta, gradual, contudo segura e permanente.
Para alcançar patamares mínimos exigíveis no quesito educação pela Organização das Nações Unidas (ONU), alguns Estados-Nações, dentre eles, o Brasil, por meio de instituições como Fundo Monetário Internacional (FMI) e/ou Banco Mundial (BIRD), investem em educação para conseguirem empréstimos. Esse crescimento sem planejamento e com vistas à captação de recursos têm causado hipertrofia no ensino superior destas nações.
O abismo estabelecido entre países ricos e pobres podem ser mensurados pelo Produto Interno Bruto (PIB), não sendo o único, pois ele está interligado a outros valores expressos economicamente como os extraídos da Balança Comercial (BC), que compõe o Produto Nacional Bruto (PNB), e por fim, influenciam diretamente o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O desenvolvimento pretende habilitar cada ser humano a manifestar potencialidades, talentos e imaginação, na procura de auto realização e da felicidade, mediante empreendimentos individuais e coletivos, numa combinação de trabalho autônomo e heterônomo e de tempo dedicado a atividades não produtivas. (SACHS, 2008, p. 35).
Ainda, em conformidade com o pensamento do autor acima citado, a boa sociedade é aquela que maximiza essas oportunidades, enquanto cria, simultaneamente, um ambiente de convivência e, em última instância, condições para a produção de meios de existência (livelihoods) viáveis, suprindo as necessidades materiais básicas da vida – comida, abrigo, roupas – numa variedade de formas e de cenários – família, parentela, redes, comunidades. É inegável que a educação tem lugar cativo nesse contexto.
Portanto, a prática pedagógica deve ser capaz de promover a formação com autonomia, em que seus sujeitos aportem engajados no compromisso de ensinar e aprender, para desenvolver competências nos diversos segmentos e contextos erigidos, visando extinguir a seletividade do modelo em crise de educação, com tendências à superação por meio de ações afirmativas, políticas públicas compensatórias, as quais permitam equidade no acesso à educação, a permanência na gestão participativa e cooperativa através da inclusão, alcançando a universalização da educação, aproximando-se o mais breve possível das metas de desenvolvimento do milênio da ONU para todos os países, dentre eles, o Brasil.

CONCLUSÃO


O Estado Democrático de Direito expresso com o advento da Constituição Federal de 1988, sedimenta também a mudança de paradigma, de normas programáticas para uma Constituição dirigente (Estado), em que o social (educação) seja realizado através do programa nacional-desenvolvimentista, construindo assim alicerce da transformação interna e da extinção da seletividade do ensino para uma universalização da educação.
Os papéis assumidos pelos envolvidos, sendo eles: docentes, discentes instituições de ensino, gestores, agências financiadoras, organizações; não são de somenos importância, pois o movimento cooperativo, solidário e inclusivo em busca de um objetivo comum - crescimento com desenvolvimento, ou seja, aumento nos índices de educação com o desenvolvimento qualitativo é a meta a ser perseguida.
Para tal, admitir o disposto na Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de acordo com a Lei 10.172/05 – Plano Nacional de Educação (PNE), atendendo a programas específicos e ações que reduzam a desigualdade no acesso e a (des)regionalização, tornando-os indivíduos desse processo; resinificando-os em “GLocais” – Globais no conhecimento, competência, saberes e, também Locais – na aplicação deles à realidade que integram.

REFERÊNCIAS
Constituição da República Federativa do Brasil multiacessível. Disponível em:< http://www.pcdlegal.com.br/constituicaofederal/#.VeMULflVikq 9/6/2014 >. Acesso em 30 de agosto de 2015.

SACHS, Ignacy. Desenvolvimento includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2008. pp. 09/68.

VASCONCELOS, Maria Lúcia M. Carvalho. A Formação de Professor do Ensino Superior. 2ª Edição Atualizada; Editora Pioneira; São Paulo, 2000.



Precarização do trabalho docente no ensino superior

                                                             Elenilce Viana Oliveira Brandão                                                                            (elenilce.brandao@gmail.com)
                                                             Luiza Gislaine Moreira Batista
                                                             (luizamoreirabatista@outlook.com)

  INTRODUÇÃO
     Este trabalho tem por objetivos apresentar as condições de trabalho em que o profissional do Ensino Superior é submetido. Este está dividido em duas etapas, a primeira apresenta a extensa e árdua rotina de atividades do professor universitário, e a segunda expor as dificuldades na produção acadêmica apontada por tais profissionais. Apontando as diversas relações de trabalho em que o Professor Universitário é resignado, atentando para as formas organizacionais em que as Universidades estão situadas.
       Se faz necessário que tenhamos um olhar atento para as condições históricas e metodológicas em que a Educação no Brasil esta inserida, para que possamos entender as precarizações que o Profissional da Educação Superior está submetido. No Brasil é observada que desde a educação Jesuíta (tal modelo educacional não institucionalizado) que até o atual sistema de educação é importante observarmos o quanto que a mesma não foi prioritária no país, mas se faz notória que a partir da educação Pombalina (1750), quando o Estado toma para si a responsabilidade da Educação que fica visível o descompromisso com a educação no Brasil, pois não havia nenhuma preocupação com a organização estrutural e metodológica.

Qual o papel do professor no atual Cenário da Educação Superior

    Com esse breve recorte histórico é importante que nos façamos a seguinte pergunta: Qual a importância do professor na Educação no Brasil? A partir dos anos 70, no século XX, essas situações agravaram-se ainda mais, tanto questões econômicas, de espaço físico, incentivo financeiro e cognitivo, várias propostas para melhorar o trabalho docente já vêm sendo pensadas e apresentadas aos docentes. 
    Dessa forma, faz-se necessário, mudanças nas práticas curriculares, devido às diferenças regionais, e a nova ordem econômica e política, mas essas mudanças ainda são difíceis, mesmo porque mudar algo que já está implantado há anos, se torna dificultoso.
O atual currículo prescrito, portanto, explica-se no conjunto das medidas consideradas necessárias ao alinhamento do país às prioridades acordadas no âmbito internacional. Sua importância não pode ser superestimada, mas está claramente afirmada na forma como se impõem os parâmetros curriculares, articuladamente às avaliações externas, que classificam as escolas e as obrigam a redirecionar seu trabalho pedagógico. (SAMPAIO; MARIN, 2004)
      Outra temática bastante discutida é a Estrutura Física e a Curricular das Universidades. Primeiro: situação atual das escolas, e a segunda: currículo, ou propostas para o ensino desenvolvido no interior das instituições de ensino superior.
      Uma outra questão que vem surgindo a anos, e que acredito eu tenha influência na precarização é o crescimento no número de desemprego, assim, formar-se docente no ensino superior, se torna a única opção, fazendo com que o professor trabalhe várias vezes por fatores estritamente mercadológicos.
      A reforma do ensino superior de 1968 dividiu essa modalidade de ensino em duas faces. 
• O docente como um trabalhador de um sistema produtivo – industrial 
• O docente como próprio produto do seu trabalho. 
  Percebendo que as Universidades estão no mercado para as questões prioritariamente mercadológicas é importante que percebamos que o agente transformador desse processo muitas vezes é pouco valorizado, notando que questões que norteiam seus direitos salariais, estruturais e psicológicos em sua maioria não é assegurado. 
    É noticiado todos os dias nos jornais a luta salarial que está envolta a classe trabalhadora da educação, com a atual conjuntura econômica do país fica ainda mais visível o descaso com tais profissionais, uma vez que o Estado não prioriza essa categoria. Com isso observamos que o Estado está bem mais preocupado com o capital de giro, que é de resultado imediato. 
      É importante que fiquemos atentos também para as questões estruturais das nossas universidades, uma vez que o bem estar dos acadêmicos e dos professores está diretamente ligado com as instalações físicas das academias. Para um melhor aprendizado dos acadêmicos e uma melhor construção de conhecimento acadêmico é relevante que as universidades apresentem estrutura mínima de condições de trabalho para tais profissionais como: equipamentos tecnológicos, salas climatizadas e com recursos pedagógicos para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. 
   Outro fator que norteia o bem estar do professor são questões curriculares, sejam da própria formação ou seja da estrutura curricular da universidade. Pensar em docência no ensino superior atualmente é entender como os professores continuam a ser desvalorizados. Primeiramente pelo processo de sua formação, mesmo que sejam mestres ou doutores, nem todos estão habilitados, preparados para exercer tal função, diferente daqueles que são formados para a docência no nível superior. Existem instituições que oferecem cursos de formação diferenciada, para tentar suprir a necessidade da formação especifica, mas esses cursos são muitas vezes, precários ou ausentes de uma boa didática.
Nas primeiras escolas do Brasil, os cursos eram seriados, com programas fechados e disciplinas destinadas a formar professores competentes em uma determinada área ou especialidade. Já vigorava o sistema de aprendizado no qual o docente deveria transmitir aquilo que sabia, para o aluno que nada conhecia (MASETTO, 2002).
     Quando surgiram as primeiras universidades os docentes eram escolhidos para ministrar aulas de acordo com seu rendimento em sua sala de aula, não necessariamente que tivesse uma formação de pós – graduação, seguindo uma ideia de que quem sabe, quem já estudou, também deve saber ensinar. 
      Visando que esta é uma concepção totalmente erronia, uma vez que a educação é a base de toda a sociedade, que é através de uma educação de qualidade que investimos no futuro, mas como será esse futuro, se os próprios docentes não estão tendo essa formação especifica. Coolahan (2002); Beley (2006), afirmam que na carreira do docente do ensino superior se interpõem inúmeros obstáculos, principalmente os de origem didática e pedagógica, em virtude do contexto mundial, no qual a educação ainda necessita de muito mais investimentos. 

  CONCLUSÃO 
     Com isso, concluímos que é de extrema importância que o Estado cumpra com os direitos legais dos professores atendendo as necessidades acadêmicas para que profissional da educação superior possa ter maior produtividade com os alunos nas universidades e que haja maior incentivo na produção pessoal do professor, assim tendo maior retorno intelectual e social. 
     Vale ressaltar que é de extrema relevância que não apenas o Estado cumpra seu papel, mas que o professor como principal agente transformador da educação execute de maneira eficaz à docência, contribuindo assim para a formação de novos profissionais para vida, para a cidadania e para o mercado de trabalho. 

  REFERÊNCIAS 

 BOSI, Antônio de Pádua. A precarização do trabalho docente nas instituições de ensino superior do Brasil nesses últimos 25 anos. Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 101, p. 1503-1523, set./dez. 2007. Disponível em :< http://www.scielo.br/pdf/es/v28n101/a1228101>  Acesso em: 29 de agosto de 2015

SAMPAIO, Maria das Mercês Ferreira; MARIN, Alda Junqueira. Precarização do trabalho docente e seus efeitos sobre as práticas curriculares. Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1203-1225, set./dez. 2004. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/es/v25n89/22618>  Acesso em: 29 de agosto de 2015 

VALENTE, Geilsa Soraia Cavalcanti. O ensino de nível superior no brasil E As competências docentes: Um olhar reflexivo sobre esta prática. Acesso em 30 de agosto de 2015

Educação é coisa séria

Amigos(as),

Hoje resolvi incluir alguns escritos sobre a questão da educação nas escolas e faculdades de Belém. Vocês podem até pensar que isso é conversa para boi dormir, mas realmente acredito no que vou escrever.Na verdade vou pontuar cinco princípios básicos que o educador deve possuir para tornar-se um grande mestre: o primeiro ponto é "seja você mesmo", isso significa que as pessoas devem demonstrar sua personalidade sem preocupar-se com que os outros vão pensar de você. Infelizmente nossas escolas e faculdades estão carregadas de pessoas hipócritas e falsas. Para ser um bom educador deve-se ter clareza de que você é importante e capaz de ser você mesmo em qualquer que seja o contexto. O segundo ponto: " Respeite o próximo". De nada adianta você ser mestre, doutor, pós-doutor se não tens o básico, ou seja, valores e respeito aqueles que convivem com você no dia a dia. O terceiro ponto: " Trabalhe com pessoas felizes e seja feliz", essa dica é na verdade para a vida toda. Ninguem gosta de trabalhar com pessoas mal humoradas. Rir é muito bom e contagia. A quarta dica: " Seja competente", faça sempre o melhor que puder para tornar-se diferenciado, ou seja, não basta apenas ser bom no que faz, temos que ser acima da média. A competência representa uma exigência e uma necessidade para os indivíduos na contemporaneidade. E finalmente " seja um eterno educador", nossa profissão tem haver com a educação, com o ato de educar. Esta é nossa função, nossa meta. Temos que compreender que somos educadores por essência. Finalmente acredito que dentre outras características a ser alcançadas por nós professores essas cinco podem fazer a diferença. No Estado do Pará temos um grupo de educadores que mesmo cansados de todas as mazelas educacionais que ainda resistem no cotidiano, ainda são capazes de fazer a diferença. Aos meus amigos(as) mestres desejo um bom dia de trabalho. 

 Marcelo Augusto Vilaça de Lima

sábado, 29 de agosto de 2015

Boas Vindas

Caros Cursistas, este espaço é destinado a socialização das produções acadêmicas desenvolvidas por vocês na disciplina de Cenários do Ensino Superior da FCAT. Essas produções são fruto de discussões e aprofundamentos teóricos e metodológicos que permearam os encontros na disciplina. Neste sentido divulgar essas produções tornam-se uma necessidade de viabilizar a troca de saberes e fazeres numa ação dialética em busca de uma mudança da práxis no ensino superior. Bom estudo