domingo, 30 de agosto de 2015

ADOECIMENTO DO PROFESSOR DOCENTE NO CENÁRIO ATUAL DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
Francisca Nayza Souza Oliveira
nayzass@yahoo.com.br

















 Fonte: www.andes.org.com

 1 - INTRODUÇÃO

        A atual situação da educação brasileira, apresenta uma mudança no cenário da profissão docente, e com isso ocasiona também alguns problemas em decorrência do trabalho. Por este motivo, percebo por meio de pesquisa bibliográfica realizada, a real situação deste cenário na atual da educação superior, professores doentes, professores desvalorizados profissionalmente e economicamente. 

 Segundo Bizarro e Braga e (2005, p. 19),
            Exige-se lhes que ofereçam qualidade de ensino, dentro de um sistema                               massificado, baseado na competitividade, muitas vezes com recursos                                 materiais e humanos precários, com baixos salários e um aumento                                     exacerbado de funções, o que contribui para um crescente mal-estar entre os                     professores.
        Diante da agravante na educação (professores doentes), é possível identificar um forte apelo para a melhoria das condições de trabalho dos profissionais docentes, que sofre grandes críticas a respeito de seu papel na sociedade atual, tendo em vista, uma constante desvalorização destes profissionais, com baixos salários, condições inadequadas de trabalho, falta de respeito dentro e fora de sala de aula, violência nas instituições, o esgotamento do professor diante das exigências, etc.                 Desta forma, meu objetivo é mostrar aos leitores a atual realidade de alguns professores neste cenário da educação e seus agravantes que prejudicam sua saúde, qualidade da educação e suas relações pessoais.

 O PROFESSOR NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO E SUA CONDIÇÃO DE TRABALHO NO ATUAL CENÁRIO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR. 

       A inclusão do professor no contexto da globalização e da política neoliberal na esfera da educação não é recente. Atualmente o Brasil e no mundo é marcado pela abertura política e principalmente econômica. Essas transformações incidem tanto sobre a cultura como sobre a educação. Diante deste quadro não há como pensar a educação isolada do próprio contexto sócio-político e econômico, em outras palavras, Identificar os desafios que esta realidade coloca para o trabalho educativo é uma tarefa que continua em aberto. Na medida em que o mundo torna-se um grande mercado, as relações pautam-se pelos critérios do lucro e do consumo individualista. Como educar, se de acordo com essa lógica, a própria educação passa a ser uma mera mercadoria oferecida de modo semelhante a qualquer objeto de consumo, no mercado global? Libâneo e Oliveira (1998, p. 606) afirmam que: As transformações gerais da sociedade atual apontam a inevitabilidade de compreender o país no contexto da globalização, da revolução tecnológica e da ideologia do livre mercado (neoliberalismo).     
       A globalização é uma tendência internacional do capitalismo que, juntamente com o projeto neoliberal, impõe aos países periféricos a economia de mercado global sem restrições, a competição ilimitada e a minimização do Estado na área econômica e social. Desta forma a educação, em sua relação com o trabalho, é entendida sob a visão do Capital Humano, destinando-se em sua prática a formar profissionais em sua imensa maioria para o trabalho simples (Gentili, 2002). Atualmente os docentes estão passando por momento bastante delicado, em decorrência de várias críticas, em relação a situação da educação, a uma desvalorização absurda em suas condições de trabalho, e na sociedade em geral. 

A SAÚDE DO PROFESSOR


        A busca para identificar as condições de trabalho e as relações com o sofrimento/adoecimento dos docentes, tendo em vista a perda de sua autonomia dentro e fora de sala de aula. A intenção do trabalho é verificar as possíveis causas e consequências do adoecimento dos docentes, como parte de uma complexidade de fatores intrínsecos a vida profissional escolar, muitas vezes ocasionando o mal-estar profissional evidenciado por sinais de sofrimento, de estresse no dia a dia, esgotamentos físicos e mental, depressão e fadiga no trabalho, causado pelos diversos fatores que potencializa o sofrimento as longas e exaustivas jornadas de trabalho, a dificuldade de operar o controle de turma, o crescente rebaixamento salarial, a desqualificação e desvalorização social do seu trabalho.
        O adoecimento é um dos traços característicos da profissão docente na contemporaneidade. Ele é produto das dificuldades ou impossibilidades do professor em lidar com as problemáticas que estão presentes no cotidiano de seu trabalho. O que chamamos de mal-estar docente reflete, então, os sentimentos de angústia, desconforto e impotência do professor, resultantes da tensão gerada pela necessidade de ele intervir em situações que se colocam no cotidiano de sua prática, e as reais possibilidades dessa intervenção. 
      No setor da educação as particularizações impostas ao trabalho docente têm um caráter frágil. Decorrente do fato que os professores têm uma jornada de trabalho que não começa nem termina na escola. Ocorre na escola, mais se inicia e tem continuidade fora dela. O rebaixamento salarial sofrido pela categoria faz com que, em sua grande maioria, trabalhem em mais de uma escola, potencializando o esforço e o desgaste inerente à profissão. Esse desgaste não é só físico, mais também afeta o psicológico do docente e esse processo, quase sempre, é desgastante. Pois muitas vezes há a ausência de material e recursos didáticos prejudicando as condições de trabalho .

CONCLUSÃO
      
       O desenvolvimento do trabalho, ora apresentado, pude observar que as mudanças sofridas no processo de trabalho, ao longo do tempo, produziram mudanças no trabalho do docente, e que estas mudanças, estão afetando diretamente, e indiretamente, a vida do trabalhador causando males a sua saúde. Mesmo sendo uma pesquisa parcial, pois o tempo não me permitiu maior aprofundamento, observei que a profissão docente não tem a possibilidade de desfrutar de prestígios sociais e econômicos, podendo-se até dizer que é uma profissão que está em crise, pois a imagem social e a condição econômica do professor vêm sofrendo crescente desvalorização profissional e social, prejudicando o seu cotidiano e as condições de trabalho a eles fornecidos ,tendo estes motivos sido citados como grandes causadores do adoecimento, por pesquisadores do mundo trabalho e da questão educacional. Este trabalho pretendeu abrir espaço para uma análise mais aprofundada, a partir de uma pesquisa bibliográfica em relação entre a atividade de docência e o adoecimento do professor no atual cenário da educação superior. 
        De uma forma geral, percebo que a docência sofre com situações estressantes em seu ambiente de trabalho, com altas exigências do mercado de trabalho educacional, com o cumprimento de regras e normas, muitas vezes ocasionando situações de sofrimentos, com alguns distúrbios psíquicos e físicos que se acumulam ao longo do tempo escolar, provocando afastamento do profissional do ambiente escolar, por motivo de doença.
       Mesmo havendo uma legislação(LDB), que normatiza o trabalho do profissional docente, muito ainda precisa ser feito, para que possamos alterar a realidade, que hoje encontra-se entre os membros desta categoria profissional, tão importante para a construção e manutenção da sociedade e da vida social.

 REFERÊNCIAS

 BIZARRO, R.; BRAGA, F. Ser professor em época de mal-estar docente: que papel para a universidade? Revista da Faculdade de Letras, Línguas e Literaturas, Porto Alegre, v.22, p. 17-27, 2005.

 FRIGOTTO, Gaudêncio. Fundamentos científicos e técnicos da relação trabalho e educação no Brasil de hoje. In: LIMA, Júlio C.; NEVES, Lúcia M. W. Fundamentos da educação escolar no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV, 2006. p. 241-260.

 Fonte: www.andes.org.com

 GENTILI, Pablo. Três teses sobre a relação trabalho e educação em tempos neoliberais In: LOMBARDI, J. C.; SAVIANI, D.; SANFELICE, J. L. (Org.). Capitalismo, trabalho e educação. Campinas: Autores Associados/HISTEDBR, 2002. p. 45-59.

 OLIVEIRA, J.F., LIBÂNEO, J.C. A Educação Escolar: sociedade contemporânea. In: Revista Fragmentos de Cultura, v. 8, n.3, p.597-612, Goiânia: IFITEG, 1998.

4 comentários:

  1. Elda Carla Barata Natividade
    É muito interessante verificar a partir da leitura do texto em questão que os problemas decorrentes do excesso de trabalho do professor bem como as condições em que este ensino, muitas vezes se encontra, em todas as esferas têm contribuído e muito para que profissional se torne alguém desvalorizado, desacreditado pela grande parte da sociedade atual assim como por vezes estes professores acabam sendo afetados não só na moral, mas também na saúde, devido a debilidade adquirida ao longo da jornada de trabalho, ponto este frisado com sabedoria na reflexão do texto em pauta.
    A falta de respeito, condições de trabalho insuficientes, segurança precária dentre outras questões somatizam a problemática que envolve o atual ensino e aprendizagem do sistema educacional brasileiro. Ensino este comprometido desde sua gênesis que se prolonga até os dias atuais, solavancando o percentual de professores vítimas de um sistema corrompido e falho, o qual se estende para as além dos portões das universidades . É importante ainda salientar que muitos professores sofrem em decorrência desta precariedade com abalos não apenas na área das emoções como na saúde acarretando mais danos diversos e por vezes irreparáveis.
    Um abraço Nayza!

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  2. Nayza seu texto exceliu minhas expectativas, de fato, muitos são os problemas pelos quais passam os professores universitários, cito alguns: desrespeito por parte de alunos, jornada de trabalho excessiva, salários baixos, insuficiente infraestrutura e, etc. Claro que não estou generalizando.
    Esse estado de coisas acaba por adoecer um número expressivo de educadores. Muitos educandos acham que o seu relacionamento com as instituições de ensino deve ser o de pagou passou, por incrível que pareça, alguns pensam que basta pagar e o diploma é certo. Fica difícil relacionar-se com alunos deste nível e sendo o magistério uma profissão de relacionamentos, é óbvio que se não estão doentes os educadores precisam tomar alguns cuidados para não ficarem.
    Ora, mudanças precisam ser feitas, pois, professores adoecidos comprometem a educação de todo o país prejudicando o desenvolvimento da nação e, como se não bastasse, há ainda interesses sociais, econômicos e ideológicos de sucessivos governos, que. em muitas situações, agem como instrumentos que terminam por potencializar esse adoecimento, então veja que a situação é complexa, e requer muito mais estudos.
    Prezada colega, as vezes são tantas as obrigações do educador com metas quantitativas que a qualidade fica comprometida. Faz-se necessário que os professores tenham tempo para preparar suas aulas, pesquisar e realizarem projetos de extensão, ou seja, precisamos renovar a gestão em muitas instituições de ensino superior.
    O professor perde ano a ano prestígio em nosso país, é lamentável este estado de coisas, no entanto, a confiança da papulação brasileira no magistério é alta, isto é uma baforada de ar fresco no cenário da educação hodierna.
    Uma das doença que tem assolado parte do magistério retirando sua energia, é a Síndrome de Burnout, que em inglês significa mais ou menos: "queimados por completo", em síntese, posso dizer que não é estresse, tampouco, depressão, mas, muito pior, pois, é uma doença prolongada que produz uma desmotivação devastadora que tem causado afastamentos crônicos de profissionais da educação; há muitos motivos para a instalação deste enfermidade e, alguns você trás registrado em seu texto.
    Fecho meu comentário nesse parágrafo, não apenas desejando ver melhorias na infraestrutura destas instituições, mas a implementação de ambientes de prestígio aos nossos educadores, bem como, a formação de uma sólida aliança e o comprometimento de todos na mediação de conflitos em que os professores se veem inseridos. Por fim, se quisermos ver o Brasil transformado numa plataforma de produção de riquezas com oportunidades para todos,então, devemos valorizar o professor.
    Sua pesquisa é nota 10.
    Parabéns!

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  3. Nayza seu texto exceliu minhas expectativas, de fato, muitos são os problemas pelos quais passam os professores universitários, cito alguns: desrespeito por parte de alunos, jornada de trabalho excessiva, salários baixos, insuficiente infraestrutura e, etc. Claro que não estou generalizando.
    Esse estado de coisas acaba por adoecer um número expressivo de educadores. Muitos educandos acham que o seu relacionamento com as instituições de ensino deve ser o de pagou passou, por incrível que pareça, alguns pensam que basta pagar e o diploma é certo. Fica difícil relacionar-se com alunos deste nível e sendo o magistério uma profissão de relacionamentos, é óbvio que se não estão doentes os educadores precisam tomar alguns cuidados para não ficarem.
    Ora, mudanças precisam ser feitas, pois, professores adoecidos comprometem a educação de todo o país prejudicando o desenvolvimento da nação e, como se não bastasse, há ainda interesses sociais, econômicos e ideológicos de sucessivos governos, que. em muitas situações, agem como instrumentos que terminam por potencializar esse adoecimento, então veja que a situação é complexa, e requer muito mais estudos.
    Prezada colega, as vezes são tantas as obrigações do educador com metas quantitativas que a qualidade fica comprometida. Faz-se necessário que os professores tenham tempo para preparar suas aulas, pesquisar e realizarem projetos de extensão, ou seja, precisamos renovar a gestão em muitas instituições de ensino superior.
    O professor perde ano a ano prestígio em nosso país, é lamentável este estado de coisas, no entanto, a confiança da papulação brasileira no magistério é alta, isto é uma baforada de ar fresco no cenário da educação hodierna.
    Uma das doenças que tem assolado parte do magistério retirando sua energia, é a Síndrome de Burnout, que em inglês significa mais ou menos: "fora do limite, queimados por completo", em síntese, posso dizer que não é estresse, tampouco, depressão, mas, muito pior, pois, é uma doença prolongada que produz uma desmotivação devastadora que tem causado afastamentos crônicos de profissionais da educação; há muitos motivos para a instalação desta enfermidade e, alguns você trás registrado em seu texto.
    Fecho meu comentário nesse parágrafo, não apenas desejando ver melhorias na infraestrutura destas instituições, mas a implementação de ambientes de prestígio para os educadores, bem como, a formação de uma sólida aliança e o comprometimento de todos na mediação de conflitos em que os professores se veem inseridos. Por fim, se quisermos ver o Brasil transformado numa plataforma de produção de riquezas com oportunidades para todos,então, devemos valorizar o professor.
    Parabéns!

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  4. Elenilce Viana Oliveira Brandão
    o adoecimento do professor é fato, não sendo limitado ao professor do ensino superior, mas a todos os níveis, adoecimento esse, resultado de várias questões que perpetuam em nosso ambiente educacional, desvalorização da profissão, falta de cursos de formação, desrespeito por parte dos alunos, instituição e etc.
    vale ressaltar que se o professor estiver sendo submetido a esse adoecimento, lógico, que seu rendimento educacional vai sofrer alterações, seu estimulo em trabalhar de modo eficaz vai se perdendo, e isso vai sendo refletido nos alunos, descompromisso em aprender e os profissionais da educação estarão descompromissados em ensinar.
    parabéns pelo texto guerreira Nayza.

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