domingo, 30 de agosto de 2015

Precarização do trabalho docente no ensino superior

                                                             Elenilce Viana Oliveira Brandão                                                                            (elenilce.brandao@gmail.com)
                                                             Luiza Gislaine Moreira Batista
                                                             (luizamoreirabatista@outlook.com)

  INTRODUÇÃO
     Este trabalho tem por objetivos apresentar as condições de trabalho em que o profissional do Ensino Superior é submetido. Este está dividido em duas etapas, a primeira apresenta a extensa e árdua rotina de atividades do professor universitário, e a segunda expor as dificuldades na produção acadêmica apontada por tais profissionais. Apontando as diversas relações de trabalho em que o Professor Universitário é resignado, atentando para as formas organizacionais em que as Universidades estão situadas.
       Se faz necessário que tenhamos um olhar atento para as condições históricas e metodológicas em que a Educação no Brasil esta inserida, para que possamos entender as precarizações que o Profissional da Educação Superior está submetido. No Brasil é observada que desde a educação Jesuíta (tal modelo educacional não institucionalizado) que até o atual sistema de educação é importante observarmos o quanto que a mesma não foi prioritária no país, mas se faz notória que a partir da educação Pombalina (1750), quando o Estado toma para si a responsabilidade da Educação que fica visível o descompromisso com a educação no Brasil, pois não havia nenhuma preocupação com a organização estrutural e metodológica.

Qual o papel do professor no atual Cenário da Educação Superior

    Com esse breve recorte histórico é importante que nos façamos a seguinte pergunta: Qual a importância do professor na Educação no Brasil? A partir dos anos 70, no século XX, essas situações agravaram-se ainda mais, tanto questões econômicas, de espaço físico, incentivo financeiro e cognitivo, várias propostas para melhorar o trabalho docente já vêm sendo pensadas e apresentadas aos docentes. 
    Dessa forma, faz-se necessário, mudanças nas práticas curriculares, devido às diferenças regionais, e a nova ordem econômica e política, mas essas mudanças ainda são difíceis, mesmo porque mudar algo que já está implantado há anos, se torna dificultoso.
O atual currículo prescrito, portanto, explica-se no conjunto das medidas consideradas necessárias ao alinhamento do país às prioridades acordadas no âmbito internacional. Sua importância não pode ser superestimada, mas está claramente afirmada na forma como se impõem os parâmetros curriculares, articuladamente às avaliações externas, que classificam as escolas e as obrigam a redirecionar seu trabalho pedagógico. (SAMPAIO; MARIN, 2004)
      Outra temática bastante discutida é a Estrutura Física e a Curricular das Universidades. Primeiro: situação atual das escolas, e a segunda: currículo, ou propostas para o ensino desenvolvido no interior das instituições de ensino superior.
      Uma outra questão que vem surgindo a anos, e que acredito eu tenha influência na precarização é o crescimento no número de desemprego, assim, formar-se docente no ensino superior, se torna a única opção, fazendo com que o professor trabalhe várias vezes por fatores estritamente mercadológicos.
      A reforma do ensino superior de 1968 dividiu essa modalidade de ensino em duas faces. 
• O docente como um trabalhador de um sistema produtivo – industrial 
• O docente como próprio produto do seu trabalho. 
  Percebendo que as Universidades estão no mercado para as questões prioritariamente mercadológicas é importante que percebamos que o agente transformador desse processo muitas vezes é pouco valorizado, notando que questões que norteiam seus direitos salariais, estruturais e psicológicos em sua maioria não é assegurado. 
    É noticiado todos os dias nos jornais a luta salarial que está envolta a classe trabalhadora da educação, com a atual conjuntura econômica do país fica ainda mais visível o descaso com tais profissionais, uma vez que o Estado não prioriza essa categoria. Com isso observamos que o Estado está bem mais preocupado com o capital de giro, que é de resultado imediato. 
      É importante que fiquemos atentos também para as questões estruturais das nossas universidades, uma vez que o bem estar dos acadêmicos e dos professores está diretamente ligado com as instalações físicas das academias. Para um melhor aprendizado dos acadêmicos e uma melhor construção de conhecimento acadêmico é relevante que as universidades apresentem estrutura mínima de condições de trabalho para tais profissionais como: equipamentos tecnológicos, salas climatizadas e com recursos pedagógicos para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. 
   Outro fator que norteia o bem estar do professor são questões curriculares, sejam da própria formação ou seja da estrutura curricular da universidade. Pensar em docência no ensino superior atualmente é entender como os professores continuam a ser desvalorizados. Primeiramente pelo processo de sua formação, mesmo que sejam mestres ou doutores, nem todos estão habilitados, preparados para exercer tal função, diferente daqueles que são formados para a docência no nível superior. Existem instituições que oferecem cursos de formação diferenciada, para tentar suprir a necessidade da formação especifica, mas esses cursos são muitas vezes, precários ou ausentes de uma boa didática.
Nas primeiras escolas do Brasil, os cursos eram seriados, com programas fechados e disciplinas destinadas a formar professores competentes em uma determinada área ou especialidade. Já vigorava o sistema de aprendizado no qual o docente deveria transmitir aquilo que sabia, para o aluno que nada conhecia (MASETTO, 2002).
     Quando surgiram as primeiras universidades os docentes eram escolhidos para ministrar aulas de acordo com seu rendimento em sua sala de aula, não necessariamente que tivesse uma formação de pós – graduação, seguindo uma ideia de que quem sabe, quem já estudou, também deve saber ensinar. 
      Visando que esta é uma concepção totalmente erronia, uma vez que a educação é a base de toda a sociedade, que é através de uma educação de qualidade que investimos no futuro, mas como será esse futuro, se os próprios docentes não estão tendo essa formação especifica. Coolahan (2002); Beley (2006), afirmam que na carreira do docente do ensino superior se interpõem inúmeros obstáculos, principalmente os de origem didática e pedagógica, em virtude do contexto mundial, no qual a educação ainda necessita de muito mais investimentos. 

  CONCLUSÃO 
     Com isso, concluímos que é de extrema importância que o Estado cumpra com os direitos legais dos professores atendendo as necessidades acadêmicas para que profissional da educação superior possa ter maior produtividade com os alunos nas universidades e que haja maior incentivo na produção pessoal do professor, assim tendo maior retorno intelectual e social. 
     Vale ressaltar que é de extrema relevância que não apenas o Estado cumpra seu papel, mas que o professor como principal agente transformador da educação execute de maneira eficaz à docência, contribuindo assim para a formação de novos profissionais para vida, para a cidadania e para o mercado de trabalho. 

  REFERÊNCIAS 

 BOSI, Antônio de Pádua. A precarização do trabalho docente nas instituições de ensino superior do Brasil nesses últimos 25 anos. Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 101, p. 1503-1523, set./dez. 2007. Disponível em :< http://www.scielo.br/pdf/es/v28n101/a1228101>  Acesso em: 29 de agosto de 2015

SAMPAIO, Maria das Mercês Ferreira; MARIN, Alda Junqueira. Precarização do trabalho docente e seus efeitos sobre as práticas curriculares. Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1203-1225, set./dez. 2004. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/es/v25n89/22618>  Acesso em: 29 de agosto de 2015 

VALENTE, Geilsa Soraia Cavalcanti. O ensino de nível superior no brasil E As competências docentes: Um olhar reflexivo sobre esta prática. Acesso em 30 de agosto de 2015

2 comentários:

  1. Esse importante trabalho de Elenice e Luíza traz para discussão a questão da precária condições do trabalho docente e isto temos constado nas inúmeras greves que tem assolado o país, como ocorre nesse momento por exemplo, e de forma relativamente rotineira nos últimos anos na área do ensino superior.
    O motivo para essas paralisações são muitos, alguns deles foram citados: precárias condições de trabalho, jornadas excessivas, poucos orientadores e supervisores para os Trabalhos de Conclusões de Cursos (TCC), baixos salários e, por ai vai.
    A vigência de uma lógica excessivamente produtivista, desumana e irracional, acaba por comprometer a interação professor-aluno. e isto não é tudo, falta sala de aula, tecnologias, prédios, enfim, vemos implantado em nosso país uma visão mercadológica sem a qualidade esperada.
    Simplesmente o Estado quer ampliar, dobrar o número de alunos nas Instituições de ensino superior mas sem se comprometer com os recursos que efetivamente seriam necessário e assim fica impossível implementar eficazmente quantidade e qualidade.
    Contratam grande número de terceirizados que quando tem seus contratos terminados, evidentemente, deixam de fazer aquilo que estavam fazendo deixando ainda mais trabalho para os já fatigados profissionais da educação.
    Grato por esse texto elucidativo, uma visão ampla que nos faz pensar sobre o ensino superior brasileiro. Tive uma ótima leitura.
    Fiquem bem.

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  2. O trabalho docente muito bem destacado nas reais condições de trabalho do professor de ensino superior, apresentado pelas autoras Luiza e Elenilce, é de suma importância para que possamos conhecer um pouco mais sobre este cenário atual da educação. Observando o texto ,os tópicos destacados, onde relata as condições da história desde a educação dos jesuítas e suas consequencias, o descompromisso com a educação no Brasil. Desta forma a relação da educação anterior e os dias atuais neste cenário de crise educacional (desvalorização econômica,qualitativa,etc.)faz-se necessário como citado no texto, a necessidade de mudanças nas práticas curriculares,e quando se ressalta a importância no cumprimento com os direitos legais dos professores ,que o Estado faça valer os direitos dos alunos ,de uma sociedade igualitária para uma educação de qualidade,onde o compromisso por uma formação de cidadania de direitos e deveres,sejam a formação educacional de qualidade para uma sociedade formadora de agentes comprometidos com uma educação de qualidade e que este cenário de precarização possa ser transformado em uma educação transformadora.
    Parabéns pelo trabalho e pela reflexão que desperta no leitor.
    Abraços Nayza Oliveira

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